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Sementes selecionadas de cajueiro anão

Clones CCP76, EMBRAPA 51, BRS 226 E CCP09

Conheça o cajueiro anão neste vídeo feito em nossa fazenda

www.youtube.com/watch?v=402QHNKsbxQ

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Sobre o Cajueiro anão

Aspectos Gerais:

- Segundos estudiosos a origem brasileira do cajueiro é um fato; o litoral nordestino é tido como centro de origem e dispersão do cajueiro comum, e Amazônia do cajueiro precoce. A planta está difundida pela América do Sul, América Central, África, Ásia; a partir de 1985 destacaram-se a Índia, Brasil, Moçambique, Tanzânia e Quênia como principais produtores de castanhas no mundo. No Brasil a quase adtotalidade da produção de castanhas situa-se nos estados do Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

Internamente o Brasil consome pedúnculos do fruto, amêndoa da castanha e líquido da castanha; a comercialização da safra tem início 3 a 4 meses antes da colheita (castanha crua e pedúnculo). O Brasil exporta liquido da castanha (LCC) (quase toda a produção) e amêndoa da castanha (ACC) também quase a totalidade da sua produção.

A produção nacional de caju no ano de 2.002 foi de 157.721 t., numa área colhida de 629.474 ha.

Botânica/Variedades/Descrição:

Composição:

O cajueiro pertence à família Anacardiaceae, Dicotyledoneae, gênero Anacardium, espécies Anacardium occidentale, L. (cajueiro comum) e – supostamente – Anacardium occidentale, L. var, nanum (cajueiro precoce).

A palavra caju parece vir do termo "Acâi-ou" (língua tupi), que significa pomo amarelo; em línguas estrangeiras é conhecido como marañom (espanhol), cajou, anacardier (francês), cashew (inglês), anacardio (italiana). O cajueiro precoce é também conhecido como cajueiro anão, cajueiro-anão-precoce, cajueiro-do-ceará, cajueiro-do-ceará-de-seis-meses.

No cajueiro precoce destacam-se os clones CCP06 (pedúnculo amarelo), CC09 (amarelado), CCP76 (avermelhado), Embrapa 50 (amarelo) e Embrapa 51 (vermelho) CCP1001 (vermelho). No cajueiro os tipos se diferenciam quanto a cor, forma, tamanho, sabor e consistência do pedúnculo do fruto sendo conhecidos como caju amarelo, caju vermelho, caju banana, caju manteiga, caju travoso, caju branco, caju maçã, entre outros.

As flores do cajueiro são masculinas e hermafroditas situadas na mesma inflorescência; as masculinas abrem-se às 06:00 horas (até as 16:00 horas) e as hermafroditas às 10:00 horas (até as 12:00 horas). A receptividade do órgão reprodutor feminino existe desde 24 horas antes até as 48 horas depois da abertura da flor. A polinização é predominantemente cruzada. A frutificação dá-se na época seca decorrendo 60-65 dias da floração à frutificação completa.

O fruto do cajueiro – a castanha – é um aquenio reniforme constituído pelo pericarpo – formado pelo epicarpo, mesocarpo (que contém o LCC) e o endocarpo – e pela amêndoa (que abriga o embrião) comestível, de cor branca (crua), contendo óleo. O LCC é uma resina líquida (cáustica).

A parte carnosa ligada ao fruto é o pedúnculo floral hipertrofiado chamado hipocarpo ou pseudo fruto, é rico em suco e tem formato variado (cilíndrico, piriforme, alongado....).

Características do cajueiro comum: Planta de porte alto (6 a 12 metros) excepcionalmente 15 e 20 metros (terrenos férteis), envergadura 10m. a 20m., copa ereta, compacta a esparramada. A primeira floração dá-se entre 3º e 5º ano de vida, o peso da castanha de 3 a 33g., peso do pedúnculo 20g. a 500g., de cor amarela ou vermelha. Produz 1,0 a 100Kg. de castanhas por safra (10.000 frutos), estabiliza a produção no 8º ano de vida; a floração dura 4 a 5 meses e a planta vive 35 anos.

Características do cajueiro precoce: Planta de porte baixo (2 a 4m.), copa compacta (em torno de 7 metros de envergadura), ereta; propagado por enxertia, estaquia ou alporquia entra em floração aos seis meses, inicia floração um mês antes do que a do cajueiro comum, floração que dura 7 a 9 meses. O peso do fruto varia de 3g. a 13g., peso do pedúnculo varia de 40 a 298g. O período de maior intensidade de frutificação (Piauí e Ceará) é de Junho a Dezembro.

Composições da amêndoa e do pedúnculo do caju:

Quadro 1

Composição da amêndoa e do pedúnculo:

Componente

Amêndoa crua

Pedúnculo fresco

Umidade (%)

2,0

86,0

Proteína bruta (%)

20,9

0,7

Fibra bruta (%)

1,2

-

Carboidratos totais (%)

27,2

-

Cálcio (mg./100g.)

165,0

14,5

Fósforo (mg./100g)

490,0

33,4

Ferro (mg./100g.)

5,0

0,35

Brix

-

10,7

Tanino (%)

-

0,37

Ácido ascórbico (mg./100g)

-

200

Açúcares totais (%)

-

8,35

Extrato etereo (%)

49,0

-

Vitamina A (U.I.)

-

10,8

 

Usos do Cajueiro:

Árvore: espécie vegetal para florestamentos havendo registros do seu uso como árvore ornamental e para sombreamento. A casca do tronco é adstringente, rica em tanino, própria para o curtume; ainda a casca contém substância tintorial vermelho-escuro (tinge roupas, redes em linhas de pesca). Cortes no tronco deixam sair resina medicinal (expectorante) e de uso no preparo da cajuína a da jeropiga.

As folhas novas servem para curtume e sua infusão (20% de folhas) é tida como medicinal (escorbuto infantil e angina de bismuto).

A madeira, cor rósea, dura, revessa, que recebe bem o verniz, é resistente à água do mar sendo usada para fabricação de cavername de barcos. Apesar disso só é utilizada para lenha e carvão (infelizmente).

Pedúnculo: rico em vitamina C é utilizado na alimentação do homem e de animais (bagaço da indústria). Ao natural o pedúnculo é consumido fresco (inteiro, cortado em rodelas, acompanhando feijoadas e tira-gosto de cachaça); esmagado produz suco refrescante – a cajuada -. Processado (em ações artesanais ou industriais) produz compotas, doces (cristalizados, em massa), caju-passa (ameixa), géleia; com o sumo produz-se sucos concentrados, cajuina (suco clarificado), vinho, vinagre, aguardente, licor, mel-de-caju. Com o suco fermentado (artesanalmente) fabrica-se as bebidas(mococoró e cauim); com pedúnculo + castanha jovens, - o maturi – prepara-se guisados e fritadas apetitosos.

Castanha - Amêndoa: é processada e consumida como castanha assada e salgada em coquetéis ou como tira-gosto de bebidas sofisticadas; ainda a amêndoa inteira ou quebrada ou sob forma de farinha entra no preparo de bolos, doces, bombons, chocolates, acompanha sorvetes, além de fornecer óleo, altamente insaturado.

Mesocarpo do fruto: produz a resina LCC – líquido da castanha de caju – de uso industrial (resinas fenólicas, pós de fricção para indústria automotiva); é de uso medicinal (propriedades antissépticas, vermifugas e vesicantes).

Formação do Pomar:

Preparo da área: As operações podem ser feitas manualmente, mecanicamente e de forma mista (segundo extensão da área, disponibilidade de mão-de-obra, vegetação existente na área). Em áreas já trabalhadas efetua-se gradagens cruzadas aplicando-se o calcário dolomítico antes de cada (se análise de solos recomendar) a 90 dias antes do plantio incorporando-se até 20cm. de profundidade. Sem recomendação aplica-se o calcário na cova (fundo) cobrindo-se com um pouco de terra (na adubação básica).

Espaçamento/coveamento: Para cajueiro comum de 10m x 10m até 15m x 15m (este mais próprio); para cajueiro precoce 6m x 8m (208 plantas/ha.) ou 6m x 5m  (334 plantas/ha-PLANTIO ADENSADO). Covas com dimensões 30cm x 30cm x 30cm (terrenos leves) e 40cm x 40cm x 40cm (terrenos pesados); na abertura da cova separar a terra dos primeiros 10 a 15cm de altura.

Para o plantio feito através de sementes selecionadas, enterre-as a um profundidade entre 4/5cm.

Para o plantio feito através de mudas, abre-se espaço na cova para o torrão, corta-se saco com canivete, coloca-se torrão no centro da cova e comprime-se a terra em volta dele.

Consorciação: Em regiões de cerrado as culturas de soja e arroz; do litoral à caatinga as culturas de feijão vigna e mandioca. Cita-se ainda as lavouras de sorgo, gergelim, amendoim, maracujazeiro. Importante é manter distância hábil (1,0m a 1,5m.) da linha de plantio do cajueiro à lavoura consorciada. Consórcios são viáveis até o 5º ano de vida. Para pomares de cajueiro anão indica-se as lavouras de feijão, soja e amendoim.

Tratos Culturais:

Manter as plantas livres da concorrência de ervas daninhas, com capinas em "coroamento" em 2 a 3 operações/ano. Nas entrelinhas roçagem no período de chuvas e gradagem superficial na estação seca.

Desbrota: eliminação de ramos laterais baixos (nascidos abaixo das folhas cotiledonares ou abaixo do ponto de enxertia), no desbate (plantio direto) ou no final do período chuvoso, no ano de implantação do pomar.

Ainda no ano de implantação aplicar, sob projeção da copa, em cobertura com incorporação, por planta e por vez, mistura de 55g. de uréia e 35g. de cloreto de potássio no "pegamento" e no final do período chuvoso.

Poda de manutenção e limpeza: a de manutenção visa preservar o maior número possível de ramos produtivos favoráveis aos tratos e colheita. Ramos "ladrões", ramos que crescem para baixo, ramos que crescem sem produzir flores são eliminados; a planta deve ter, pelo menos, 60% de ramos que emitam flores e que dão à copa da planta formato de meia lua.

A de limpeza é feita anualmente com eliminação de ramos doentes ou secos.

As podas devem ser feitas após a colheita (safra).

Consorciação

O consórcio pode ser realizado até o terceiro ano após o plantio, pois a partir daí as plantas já estão muito crescidas e a faixa de solo livre nas entrelinhas torna-se bastante estreita. Deve-se optar por culturas de ciclo curto como o feijão, mandioca, soja, sorgo granífero e amendoim, embora outras possam ser usadas, dependendo das condições de clima, solo e mercado. O plantio dessas culturas deve ser efetuado a 1,0 m de distância das linhas do cajueiro.

Outra atividade que poderá ser explorada com o cajueiro é a criação de abelhas, que, além da renda adicional gerada pela produção de mel, poderá trazer benefícios na floração, melhorando a polinização, com conseqüente aumento na produção do cajueiro.

Adubações anuais: é feita em cobertura, na projeção da copa (2/3 para dentro, 1/3 para fora), com incorporação; as quantidades abaixo referem-se à aplicações por planta e por vez

Quadro 2 – Adubações em cobertura do cajueiro

Ano

Início das chuvas

Fim das chuvas

 

UR SS KCL

UR SS KCL

 

 

 

65 220 50

65 220 50

85 290 65

85 290 65

4º (1)

170 445 100

170 445 100

  1. A partir do quarto ano.

Fonte: EBAPA (1988)

Ur: uréia; SS: superfosfato simples; KCL: cloreto de potássio.

OBS: Caso haja possibilidade pode-se aplicar 10l de esterco de curral, em pó, com leve incorporação ,no início do período chuvoso.

A partir do 5º ano os adubos podem ser lançados nas entrelinhas.

Colheita/Beneficiamento/Armazenamento:

Colheita inteiramente manual; a mecanizada depende fundamentalmente, de clones de porte baixo, copa ereta e uniforme e produção concentrada. A colheita de pedúnculo + fruto deve ser feita pela manhã aproveitando frutos caídos não estragados também e frutos ao alcance das mãos (nunca os fora de alcance).

Há descastanhamento (separação dos frutos e dos pedúnculos) e estes, acondicionados em caixas de 12 kg, são enviados para processamento (indústria).

No caso de colheita só para aproveitamento do fruto colhe-se de 7 em 7 dias; em seguida as castanhas são secadas ao sol por dois dias a três e armazenadas à granel sobre estrados com ventilação assegurada.

As produções de castanha variam 150 a 500 kg/ha para cajueiro comum; o cajueiro precoce pode produzir 1.300 Kg a 5.200 Kg/ha de castanha; esta representa 10% do peso do pseudo-fruto +castanha

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